'Só uma brincadeira', diz técnica de enfermagem suspeita de tentar roubar bebê em hospital no DF
30/03/2026
(Foto: Reprodução) Polícia prende técnica de enfermagem suspeita de tentar roubar bebê
A técnica de enfermagem suspeita de tentar sair com um bebê do Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, afirmou em depoimento à Polícia Civil que a ação foi apenas uma “brincadeira".
O g1 teve acesso ao depoimento colhido no último sábado (28) na 33ª Delegacia de Polícia.
Acompanhada pela advogada, a técnica Eliane Borges Tavares Dias Vieira, de 44 anos, disse que não teve intenção de retirar o recém-nascido da unidade e que a situação foi uma forma de “testar” a equipe de segurança.
Segundo ela, a "ideia" surgiu em uma conversa com uma colega de trabalho.
"A moça de segurança falou assim: 'onde você vai com o bebê?'. Aí eu não respondi, depois me virei e sorri para ela. Não saí do hospital, não saí do setor. Abri a porta, andei uns metros e falei com ela [...]: 'moça, era só uma brincadeira, você passou no teste'" afirmou a mulher à delegacia.
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Técnica de enfermagem suspeita de tentar roubar bebê no DF, em depoimento à Polícia Civil
Reprodução
O caso ocorreu na tarde de sábado (28). No depoimento, a investigada diz que retornou para a sala de recuperação e devolveu a criança para a mãe.
"Eu não tive intenção jamais de tirar o recém-nascido da mãe. Eu já trabalhei em vários hospitais. Cuido das crianças, não tinha essa intenção", afirmou.
A recém-nascida e a mãe tiveram alta médica e deixaram o Hospital Regional de Santa Maria na tarde desta segunda-feira (30).
'Extrema vulnerabilidade', diz defesa
A defesa de Eliane informou que não vai se manifestar neste momento. Em nota, a advogada afirma que o caso ainda está sob apuração e que os esclarecimentos serão apresentados nos autos do processo.
No entanto, no processo judicial, a defesa afirma que a técnica de enfermagem vive um "histórico de extrema vulnerabilidade” emocional e psicológica.
A defesa sustenta que, após problemas pessoas, Eliane desenvolveu depressão grave e transtorno do pânico, com sintomas como insônia, sentimento de culpa, crises recorrentes e medo de morrer.
De acordo com o documento, o quadr levou ao afastamento das atividades profissionais em julho de 2025. Ainda segundo a defesa, a investigada retomou trabalho em janeiro de 2026, em busca de reabilitação psicossocial.
Ação foi impedida por seguranças
Segundo o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), a tentativa de retirada do bebê foi identificada e interrompida pela equipe de segurança do hospital.
A instituição informou que a profissional foi afastada imediatamente e que o caso está sendo analisado.
De acordo com a ocorrência, a técnica foi levada à delegacia. O crime é considerado inafiançável na esfera policial.
Ela passou por audiência de custódia e foi liberada mediante medidas cautelares, como:
afastamento do hospital em raio mínimo de 300 metros;
proibição de acesso a unidades neonatais;
proibição de contato com testemunhas.
De acordo com o boletim de ocorrência, a mulher foi presa e não teve fiança fixada, pois o crime de "subtração de incapaz" é inafiançável na esfera policial.
Segundo o Tribunal de Justiça, a mulher foi solta em audiência de custódia mediante o cumprimento das seguintes medidas cautelares:
afastamento do local do Hospital de Santa Maria em raio mínimo de 300 metros;
proibição de acesso a qualquer unidade neonatal durante a investigação;
proibição de manter contato com as testemunhas.
O que diz a suspeita
"A defesa informa que, neste momento, não irá se manifestar pela imprensa, tendo em vista que os fatos ainda estão sendo devidamente apurados no âmbito do inquérito policial.
Ressaltamos que todas as informações e esclarecimentos pertinentes serão apresentados oportunamente nos autos do processo, por meio dos canais oficiais, em respeito ao devido processo legal e às garantias constitucionais da investigada.
Contamos com a compreensão dos veículos de comunicação no respeito ao princípio constitucional da presunção de inocência e ao devido processo legal."
O que diz o Iges-DF
"O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) informa que identificou, na tarde deste sábado (28), no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), uma tentativa indevida de retirada de uma criança da unidade por uma colaboradora, sem qualquer autorização e em total desacordo com os protocolos institucionais.
A ação foi imediatamente identificada e interrompida pela equipe de segurança do hospital, que atuou com rigor e prontidão, acionando a Polícia Militar e impedindo qualquer desfecho irregular. A colaboradora foi conduzida à delegacia para os procedimentos cabíveis.
O IgesDF destaca que dispõe de equipes de segurança altamente qualificadas e treinadas, com atuação rigorosa especialmente nos fluxos das maternidades, que seguem protocolos estritos de controle, identificação e circulação, assegurando a proteção integral de pacientes e recém-nascidos.
A profissional foi afastada de forma imediata, e o caso está sob análise das áreas competentes para a adoção de todas as medidas administrativas e legais.
O Instituto reforça que não tolera qualquer conduta que viole suas normas e atua com absoluto rigor na apuração de fatos que possam comprometer a segurança de pacientes, familiares e equipes assistenciais, mantendo plena colaboração com as autoridades."
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